JĂĄ Ă© de conhecimento cientĂfico e geral que noites mal dormidas impactam diretamente em tarefas cognitivas. Com o intuito de explorar um outro lado dos efeitos causados pela sonolĂȘncia, pesquisadores da Universidade de SĂŁo Paulo (USP) e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, resolveram investigar como o sono afeta atividades que supostamente exigem menos concentração, como uma simples caminhada.
A partir de experimentos, os cientistas constataram que quanto menos os voluntĂĄrios dormiam, menos controle eles tinham ao caminhar em uma esteira ergomĂ©trica. O domĂnio sobre os passos despencou ainda mais para aqueles que pularam a noite de sono anterior ao teste.
Por outro lado, quem dormiu melhor nos fins de semana que antecederam a experiĂȘncia teve resultados mais satisfatĂłrios. âAchamos que compensar o sono pode ser uma estratĂ©gia importanteâ, diz Hermano Krebs, do departamento de engenharia mecĂąnica do MIT, em comunicado. âPor exemplo, aqueles que sĂŁo cronicamente privados de dormir, como trabalhadores noturnos, mĂ©dicos e alguns militares; se eles tĂȘm uma compensação de sono regular, poderiam ter melhor controle sobre sua marchaâ, acrescenta o autor do estudo publicado nesta terça-feira (26) Scientific Reports.
ExperiĂȘncias envolvendo animais andando em esteiras jĂĄ haviam confirmado que uma caminhada parece ser um processo mais automĂĄtico do que cognitivo. “Este Ă© o caso dos quadrĂșpedes, mas a ideia era mais controversa em humanos”, explica Krebs.
Em testes realizados na Ășltima dĂ©cada, o pesquisador estudou o controle da marcha e a dinĂąmica da caminhada com o objetivo de desenvolver sistemas robĂłticos que auxiliassem pacientes com limitaçÔes ao movimento. E verificou que, em pessoas saudĂĄveis, o ritmo dos passos pode ser influenciado por estĂmulos visuais, mesmo que elas nĂŁo percebam. Isso sugere que a andança sofre alguma interferĂȘncia sutil e consciente.
A equipe formada pelo MIT e pela USP resolveu, entĂŁo, investigar como os estudantes se sairiam nesse experimento. Cada um dos voluntĂĄrios recebeu um relĂłgio para acompanhar suas atividades por 14 dias, tendo dormido, em mĂ©dia, seis horas diĂĄrias. Mas parte do grupo passou a 14ÂȘ noite acordada.
No dia do teste, os alunos foram incentivados a manter o passo na batida de um metrĂŽnomo cuja velocidade foi sendo sutilmente alterada pelos pesquisadores, sem que os voluntĂĄrios soubessem.
A partir de cĂąmeras, os cientistas puderam comparar o ritmo do metrĂŽnomo com o momento em que os pĂ©s atingiam a esteira. “Eles [os voluntĂĄrios] tiveram que sincronizar sua batida de calcanhar ao ritmo, e descobrimos que os erros eram maiores em pessoas com privação aguda do sono”, afirma Arturo Forner-Cordero, professor da Escola PolitĂ©cnica da USP e autor principal do estudo.
Mas a grande surpresa do estudo veio em relação Ă queles que viraram a noite sem dormir. Os estudantes que se saĂram um pouco melhor foram os que compensaram e dormiram mais nos finais de semana. “Isso Ă© paradoxal”, comenta Forner-Cordero. “Mesmo no auge de quando a maioria das pessoas estaria cansada, esse grupo compensador se saiu melhor, o que nĂŁo esperĂĄvamos”, completa.
âIdealmente, todos devem dormir oito horas por noiteâ, indica Krebs. âMas se nĂŁo pudermos, devemos compensar tanto e regularmente quanto possĂvel.â
Fonte – Revista Galileu






