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Demografia Médica no Brasil 2023

O estudo Demografia Médica no Brasil 2023, resultado de Acordo de Cooperação Técnica entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Associação Médica Brasileira (AMB), foi lançado em fevereiro, trazendo importantes números para reflexão. A despeito da carência de assistência em áreas remotas e periferias, o número de médicos no Brasil cresce ano a ano, evidenciando que não nos faltam profissionais de Medicina. Ao contrário, estamos formando em excesso, mas sem qualidade desejável e sem políticas que atendam às questões emergentes e debilidades da saúde pública.

O número de médicos mais do que dobrou no Brasil em pouco mais de duas décadas. De 13 anos pra cá, mais de 250.000 novos profissionais se formaram. Segundo projeção do estudo Demografia Médica, mesmo no cenário mais conservador, de hipotética suspensão da abertura de novos cursos de medicina, o país deverá ter mais de um milhão de médicos em 2035, efeito da ampliação massiva de vagas de graduação.

MULHERES SERÃO MAIORIA EM 2024

A projeção revela que as mulheres serão maioria entre os médicos no Brasil a partir do ano de 2024. O fenômeno já vinha sendo observado desde 2009, junto dos egressos da graduação e novos registros em CRMs, conforme demonstravam estudos anteriores da publicação Demografia Médica de 2017.

Entre os anos de 2009 e 2022, o número de mulheres evoluiu de cerca de 133.000 para aproximadamente 260.000, ou seja, quase dobrou na série histórica. Entre os homens, o crescimento foi mais lento no mesmo período, com acréscimo de cerca de 43%. Entre 2023 e 2035, período projetado, o crescimento previsto entre as médicas será de cerca de 118%, ao passo que entre os homens será de 62%.

DESIGUALDADES EM ACESSO E CONSULTAS MÉDICAS

O levantamento, conduzido há 12 anos pelo professor livre-docente Mário Scheffer, que lidera grupo de pesquisa sobre o tema junto com o Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), objetiva registrar as mudanças e transformações recentes na oferta, na formação e no trabalho dos médicos no país.

A edição de 2023 revela o volume e as desigualdades de acesso a consultas médicas no Brasil, no Sistema Único de Saúde (SUS) e nos planos de saúde. Divulga ainda dados sobre a renda declarada dos médicos, segundo gênero, idade e unidade da federação; sobre a expansão das escolas médicas e as mudanças no perfil dos estudantes de medicina; além de um “raio X” da Residência Médica no país (veja a publicação em www.fm.usp.br/fmusp/conteudo/DemografiaMedica2023.pdf).

São também divulgados dados sobre a renda declarada dos médicos, segundo gênero, idade e unidade da Federação; sobre a expansão das escolas médicas e as mudanças no perfil dos estudantes de medicina; além de um “raio X” da Residência Médica no país.

A professora Eloisa Bonfá, diretora da FMUSP, afirma que “com esta divulgação reafirmamos o compromisso da Instituição de implementar pesquisas de excelência acadêmica, traçadas por demandas sociais concretas e capazes de contribuir com políticas públicas de saúde e educação”.

QUANTOS SÃO OS ESPECIALISTAS: REGISTROS E INDIVÍDUOS

A nova Demografia Médica no Brasil apresenta muitos outras informações relevantes. Há um mapa completo sobre o número e o perfil de médicos especialistas, nas 55 especialidades médicas reconhecidas. Em 2022, existiam 321.581 médicos com um ou mais títulos de especialista, o que correspondia a 62,5% do total de 514.215 profissionais em atividade no país. Os demais 192.634 médicos (ou 37,5%) eram generalistas, ou seja, não possuíam título em nenhuma especialidade.

As especialidades com maior número de registros de especialistas são Clínica Médica (56.979 médicos), Pediatria (48.654), Cirurgia Geral (41.547), Ginecologia e Obstetrícia (37.327), Anestesiologia (29.358), Ortopedia e Traumatologia (20.972), Medicina do Trabalho (20.804) e Cardiologia (20.324). Juntas, as oito especialidades mais frequentes representam mais da metade (55,6%) do total de registros de especialistas. Duas delas, Clínica Médica e Cirurgia Geral, são pré-requisito para a titulação em outras especialidades. Um segundo grupo, de cinco especialidades, soma 14,4% dos especialistas: Oftalmologia (17.967 registros), Radiologia e Diagnóstico por Imagem (16.899), Psiquiatria (13.888), Dermatologia (11.431) e Medicina de Família e Comunidade (11.255). Assim, 13 das 55 especialidades reúnem perto de 70% dos registros existentes.

No caso da Neurologia, há um dado que salta aos olhos: mais do que dobraram os registros de médicos especialistas, de 2012 a 2022. Há uma década éramos 3.212, saltando para 6.776 no ano passado.

O crescimento, contudo, é desordenado, conforme pontua o presidente da ABN, Carlos Roberto M. Rieder. Ele destaca que os profissionais acabam se concentrando nos grandes centros, áreas em que há recursos tecnológicos para a boa assistência, além de perspectivas mais alvissareiras para a construção de carreira e valorização.

ESPECIALISTAS, SEGUNDO GÊNERO

O estudo traz o número e a porcentagem de especialistas homens e mulheres em cada especialidade e a razão entre médicos e médicas. Os homens são maioria em 36 das 55 especialidades médicas e as mulheres predominam em 19 delas.

Em Urologia, Ortopedia e Traumatologia, e Neurocirurgia os homens representam mais de 90% entre os especialistas, o que, em razão, significa 33, 12 e 9 médicos para cada médica, respectivamente, nas três especialidades. Em nove especialidades, os homens são mais de 80%.

As mulheres estão em menor número em todas as especialidades cirúrgicas, caso da Cirurgia Geral, em que representam menos de 25% do total de especialistas. A especialidade com maior número de mulheres é a Dermatologia, com 8.236 médicas, que correspondem a 77,9% dos dermatologistas. Outras especialidades com grande proporção de mulheres são Pediatria (75,6%), Alergia e Imunologia e Endocrinologia e Metabologia, ambas com 72,1%. Em Ginecologia e Obstetrícia, Geriatria, Hematologia e Hemoterapia e Genética Médica elas representam pelo menos 60%. As especialidades de Nutrologia, Medicina Física e Reabilitação, e Gastroenterologia estão proporcionalmente equilibradas entre homens e mulheres.

RESIDÊNCIA MÉDICA: OFERTA E DISTRIBUIÇÃO

Em 2021, segundo o Ministério da Educação (MEC), 41.853 médicos cursavam Residência Médica (RM), inscritos em programas mantidos por 789 instituições credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). No mesmo ano, 4.950 programas de RM estavam credenciados no Brasil, autorizados a formar médicos em 55 especialidades e 59 áreas de atuação reconhecidas pela Comissão Mista de Especialidades (CME), composta por representantes da CNRM, do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).

Cabe à CNRM, vinculada ao MEC, atuar na regulação, avaliação e supervisão de instituições que ofertam RM, assim como no credenciamento e funcionamento dos programas.

Com informações de www.fm.usp.br

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