Em diversos paĂses da Europa, Estados Unidos e JapĂŁo, Ă© comum encontrar estudos epidemiolĂłgicos de base robusta. Tal contribuição cientĂfica Ă© fundamental para o desenvolvimento de pesquisas, para melhor projeção sobre o comportamento de determinadas doenças e para construir caminhos eficazes e efetivos em medicina e saĂșde.
O Registro Brasileiro de Doenças NeurolĂłgicas, Redone.br, Ă© uma iniciativa da Academia Brasileira de Neurologia que segue essa tendĂȘncia. Estamos colhendo e organizando dados sobre os aspectos epidemiolĂłgicos das doenças que acometem a população brasileira em nossa especialidade, de modo a traçar um perfil mais preciso de cada uma delas.
Essa coleta de nĂșmeros sistematizada Ă© imprescindĂvel para respostas consistentes, baseadas em evidĂȘncias, Ă s necessidades de saĂșde pĂșblica. O Redone.br visa ao papel de referĂȘncia das doenças neurolĂłgicas em Ăąmbito nacional, pautado em valores como Ă©tica, transparĂȘncia, qualidade, compartilhamento e profissionalismo.
Natålia Bronzatto Medolago, coordenadora de pesquisa do Redone.br, pontua que as informaçÔes disponibilizadas serão de utilidade inconteståvel à população:
âOs dados inseridos no Registro ser – vem tanto para responder perguntas definidas especificamente para atender aos objetivos de uma pesquisa, quanto para a complementaridade dos processos de gestĂŁo em saĂșde. Por meio dessas informaçÔes, serĂĄ possĂvel realizar estudos epidemiolĂłgicos e utilizĂĄ-los como recursos que permitam analisar, por exemplo, a qualidade da assistĂȘncia prestada aos pacientes com doença neurolĂłgica. O que, consequentemente, pode gerar açÔes de melhoria da atenção oferecida a essa populaçãoâ.
âNesse sentido, a ABN, autoridade nacional em Neurologia, habilita-se ainda, por meio do Redone.br, como referĂȘncia para os principais ĂłrgĂŁos pĂșblicos de saĂșde do paĂs, sendo fonte de informaçÔes sobre a epidemiologia das doenças neurolĂłgicas na população brasileira.
Idealizado pela Dra. Doralina GuimarĂŁes Brum Souza, atualmente coordenadora do Redone, a iniciativa nasceu em 2016, com o intuito de sanar a deficiĂȘncia de dados sobre doenças neurolĂłgicas nas cinco regiĂ”es do Brasil.
Roberta Arb Saba Rodrigues Pinto, primeira secretĂĄria da ABN, pondera que o Registro Ă© tambĂ©m um mecanismo de exercĂcio da cidadania:
âA gente nĂŁo possui estudos de quantos pacientes existem no Brasil, por exemplo, com Doença de Huntington. Ă uma doença rara. Para eu pedir qualquer apoio ao Governo no campo de açÔes de saĂșde, Ă© preciso apresentar dados fidedignos.â Ela destaca complementarmente os percalços do cenĂĄrio atual: âPrecisamos conhecer melhor as doenças neurolĂłgicas, fazer estatĂsticas, pegar esse banco de dados para produzir um estudo mundial. Ainda engatinhamos nesse aspecto, entĂŁo necessitamos muito de colaboração, tanto dos mĂ©dicos quanto dos pacientesâ.
HĂĄ vĂĄrios projetos dentro da plataforma Redone.br, sendo que um colaborador pode inserir as informaçÔes de seus pacientes e contribuir com as pesquisas vigentes, mesmo sem ser associado Ă Academia Brasileira de Neurologia. O sistema Ă© acessĂvel por qualquer dispositivo com conectividade – celular, notebook, tablet – e os formulĂĄrios para o compartilhamento de dados sĂŁo curtos: no mĂĄximo, dez minutos de duração, o que facilita a adesĂŁo dos usuĂĄrios.
Atualmente, as pesquisas em andamento sĂŁo: Registro Brasileiro de Neuromielite Ăptica, Registro Brasileiro de Esclerose MĂșltipla, Efeito da Estimulação Cerebral Profunda nas Distonias, FrequĂȘncia da Doença de Huntington no Brasil, COVID-19 na EM e NMO: Registro Nacional e, por fim, Cuidados paliativos nos programas de ResidĂȘncia MĂ©dica em Neurologia no Brasil.
Ă viĂĄvel, tambĂ©m, tornar-se coordenador de um projeto, isto Ă©, propor novas temĂĄticas dentro do Redone.br, em que os demais usuĂĄrios poderĂŁo colaborar. Nesse caso, vale ressaltar que Ă© necessĂĄrio ser associado Ă ABN. Todos os caminhos sobre como propor ou colaborar com as pesquisas estĂŁo disponĂveis no link: https://www.abneuro.org.br/redone/ area-do-medico/.
âQuanto maior o tamanho da amostra, mais robustas podem ser as respostas diante das doenças estudadas. Assim, poderemos atender Ă demanda dos pacientes por meio da proposição de polĂticas pĂșblicas e estimular a pesquisa na ĂĄrea da neurologiaâ, ressalta NatĂĄlia. âAlĂ©m disso, o Redone.br se preocupou em criar uma ĂĄrea especĂfica para que os pacientes possam entrar, se cadastrar, gerenciar sua participação nas pesquisas e se envolver ativamente no fornecimento de informaçÔes sobre sua percepção e impacto da doença na sua qualidade de vida. Ă uma maneira de mapear quais sĂŁo realmente as necessidades dos pacientes que devem ser observadas, e de garantirmos a integralidade, princĂpio importante do Sistema Ănico de SaĂșdeâ.
Roberta Arb Saba reitera que o Redone.br Ă© “ferramenta cientĂfica, Ă©tica, correta e segura, com dados fidedignos, para a compreensĂŁo em termos de frequĂȘncia de doenças neurolĂłgicas e outros aspectosâ.
âĂ um desafio, nĂŁo uma carĂȘnciaâ, arremata NatĂĄlia. âSĂŁo essenciais a adesĂŁo e o engajamento dos Departamentos CientĂficos. Se cada um propuser uma pesquisa, teremos uma base maior e mais sĂłlidaâ.






