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Fevereiro roxo: alerta sobre boa informação e doença de Alzheimer

A Campanha Fevereiro Roxo visa conscientizar a população sobre doenças importantes. Uma delas é a doença de Alzheimer. A meta é que sejam identificadas ainda na fase inicial, para que seus sintomas sejam controlados ou retardados, oferecendo melhor qualidade de vida aos pacientes.

Entre as missões da Academia Brasileira de Neurologia, está a de difundir o conhecimento com base nas melhores evidências científicas disponíveis. Fornecer informações de qualidade para os cidadãos é conscientizar a sociedade sobre as doenças neurológicas e empoderar os indivíduos e familiares sobre potenciais tratamentos e prognóstico.

Focada em tal escopo, a ABN também atua para esclarecer a sociedade em casos de notícias eventualmente equivocadas e/ou fake news, por exemplo. O Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia, a propósito, recentemente manifestou-se em relação a uma reportagem publicada por alguns veículos de imprensa, intitulada “Cannabis: idoso tem reversão de sintomas do Alzheimer com óleo da planta.”

Diz a nota oficial do DC de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento: “A notícia em questão relata o caso de um senhor de 78 anos diagnosticado com doença de Alzheimer e que teve seus sintomas supostamente revertidos, com ‘melhoras no humor, sono e memória, além de a doença se manter estável’ após início de tratamento experimental com extrato composto por THC (Tetrahidrocanabinol) e CBD (Canabidiol). Em seguida, a matéria reporta o acompanhamento de outros 28 casos, com estabilidade em 6 meses no grupo submetido à intervenção. O caso ora relatado foi publicado em uma revista médica (Ruver-Martins et al. Journal of Medical Case Reports (2022) 16:277) no formato de relato de caso. 

Embora tenham o papel de documentar casos de interesse científico, os relatos de caso não permitem tirar conclusões sobre a eficácia ou não de tratamentos, sendo os ensaios clínicos controlados com placebo o meio mais adequado para isso. Nesse tipo de pesquisa, para comprovar o possível efeito de um medicamento em teste, é necessário utilizar dois grupos de pacientes que têm a doença. Um grupo é selecionado por sorteio para receber o medicamento, enquanto o outro recebe um placebo (produto sem efeito no tratamento). Nem os pacientes nem os médicos podem saber quem está tomando o medicamento em teste ou o placebo. Somente ao fim do período definido (seis meses, um ano ou mais) os pacientes serão reavaliados e então os examinadores e os pacientes vão saber quem tomou o medicamento e quem tomou o placebo. Assim, pode-se concluir se houve efeito.

De outra forma, os resultados podem ser obtidos por mero acaso e pode haver efeitos colaterais não documentados. Quanto aos demais casos sendo acompanhados, será fundamental que tenhamos acesso à pesquisa, na expectativa de que obedeça ao rigor metodológico que permita replicação dos resultados por outros grupos e ampliação do tamanho amostral, para que tenhamos conclusões mais sólidas.

O uso de canabinóides para o tratamento de condições neurológicas é atualmente alvo de intensa pesquisa, com resultados não uniformes até o momento. Em artigo de posicionamento publicado pela Academia Brasileira de Neurologia no periódico científico Arquivos de Neuropsiquiatria (Brucki SMD et al. Canabinoids in Neurology. Arq. Neuro-Psiquiatr. 79 (04) • Apr 2021), um painel de especialistas constatou que ainda não há evidência científica que corrobore o uso do THC ou do CBD para o tratamento dos sintomas cognitivos ou neuropsiquiátricos da doença de Alzheimer, tampouco para a reversão ou estabilização da doença, que apresenta evolução progressiva. O mesmo documento ressalta o papel importante que a medicação pode apresentar em formas graves de epilepsia da infância e que a literatura médica está em constante mudança, portanto, novas evidências podem surgir com a evolução das pesquisas.

Até o presente momento, ainda não se pode falar em tratamentos curativos para a condição, mas ressaltamos que os tratamentos sintomáticos atuais são bem estudados e validados, e devem ser continuados a despeito de qualquer outro tratamento adicional oferecido. Colocamo-nos ao lado dos pacientes e de seus familiares na expectativa pelo avanço na ciência, com perspectivas de novos tratamentos modificadores da doença de Alzheimer, incluindo os derivados da cannabis.

A ABN possui em seu quadro profissionais de alta qualificação técnica e se coloca à disposição da imprensa para os devidos esclarecimentos sobre a doença de Alzheimer ou qualquer outra doença neurológica. Informações sempre baseadas nas melhores evidências científicas, garantindo, assim, adequados esclarecimentos para a população. 

Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia

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