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Uma mente efervescente e obras arrebatadoras: conheça um pouco das obras literárias do neurologista Adolfo Vasconcelos de Albuquerque

F ilho de médicos, Adolfo Vasconcelos de Albuquerque seguiu a trajetória profissional de seus pais. Cursou medicina, especializando-se posteriormente em Neurologia. Foi atraído pelos desafios e complexidades de nossa área.

Adolfo, vale o parêntese, tem opiniões bem interessantes sobre a Neurologia. Defende firmemente que precisamos permanecer humildes em nosso campo de atuação e detalhe de onde vem sua compreensão:

“Pouco sabemos, mesmo os mais eminentes discípulos de Charcot não passam de neófitos e basta um vislumbre na vasta gama de mistérios que envolvem o funcionamento cerebral para sermos lembrados da nossa evidente ignorância”.

Não só parece polêmica de pensador, como o é. A cabeça de Adolfo Vasconcelos é uma usina de debates. Graças a essa efervescência, ele também transita com desenvoltura pelo universo literário. Nessa reportagem, em particular, ele comenta duas de suas obras: “Paris. Luzes e Sombras no Coração da Europa” e “Um cavaleiro Templário. E a arte alquímica de transmutar ódio em amor, vingança em redenção”. Confira.

QUAL É SUA TRAJETÓRIA NA LITERATURA?

A leitura é uma paixão já de vários anos, mas o livro “Paris. Luzes e Sombras no Coração da Europa” foi meu primeiro romance, escrito entre 2017 e 2018.

A MEDICINA E A NEUROLOGIA SURGIRAM COMO EM SUA VIDA?

Meus pais são médicos, de forma que a medicina foi escolha natural. Entrei na UFAL (Universidade Federal de Alagoas) e me formei médico em 2001. Ainda durante a faculdade me interessei pela neurologia. Tive a honra de fazer residência em Neurologia na UFF (Universidade Federal Fluminense) sob orientação de generosos professores aos quais só tenho a agradecer (professores Marcos de Freitas, Osvaldo Nascimento, Pedro Moreira, Edmar Araújo, dentre outros). Desde 2006 venho atuando como neurologista em Alagoas.

A LITERATURA E A ESCRITA SÃO BENÉFICAS PARA A NOSSA SAÚDE MENTAL?

De que maneira? Sim. A literatura é uma excelente forma de estímulo cognitivo. O cérebro, definitivamente, não aprecia o ócio, mantê-lo constantemente desafiado é uma excelente forma de mantermos nossa saúde mental. Não é só nosso corpo que precisa de exercícios regulares para manter a saúde, nosso cérebro também precisa ser constantemente exercitado para se manter são.

QUAL É O PESO DA ESCRITA PARA VOCÊ?

A escrita é reflexo do hábito da leitura. Muitos que têm o hábito de ler sentem, em algum momento, vontade de escrever. Alguns concretizam essa vontade. No meu caso, a escrita foi um desafio e um prazer; um desafio no sentido de que não sabia se conseguiria escrever um livro (não um livro qualquer, mas um bom livro), e foi um prazer porque efetivamente gostei do resultado, escrevi um livro que eu gostaria de ler (e era exatamente esse meu objetivo).

A ESCRITA PODE PREVENIR NO TRATAMENTO OU NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS NEUROLÓGICAS?

Estímulos cognitivos constantes podem aumentar as conexões entre os neurônios (as sinapses), dessa forma podemos dizer que a leitura e a escrita são ferramentas úteis para, no mínimo, postergar os sinais e sintomas de doenças neurodegenerativas que afetam a esfera cognitiva (como, por exemplo, a doença de Alzheimer).

QUAL FOI A INSPIRAÇÃO DO SENHOR PARA O SEU PRIMEIRO LIVRO?

Claro que minha admiração pela cultura francesa se faz sentir em cada palavra, em cada frase desse livro, essa foi minha principal inspiração. Trata-se de um romance histórico. A ambientação na França do fim do século XIX e do início do século XX se deve a excepcionalidade desse período. A humanidade, nesses anos frenéticos, experimentou avanços culturais e científicos incríveis (e Paris, certamente, era o epicentro desses avanços) até mergulhar nos horrores da Grande Guerra. A narrativa se inicia logo após a Guerra Franco-Prussiana e termina com o apagar das luzes da Primeira Guerra Mundial. É um romance marcado por conflitos psicológicos e por reviravoltas, que expõe a alma e o caráter dos personagens (explicitando as contradições que marcam nossa sociedade). Mas também um convite a um mergulho na história (Catedral de Notre-Dame de Paris, Arco do Triunfo, Torre Eiffel, Palácio do Louvre, Victor Hugo, Allan Kardec, Claude Monet, Francisco I, Napoleão Bonaparte e Leonardo da Vinci nos fazem agradável companhia). A última parte do romance transcorre durante a Primeira Guerra Mundial; são descritas as principais batalhas e os impactos da Grande Guerra no mapa geopolítico europeu/mundial.

HÁ ALGUM LINK COM A NEUROLOGIA?

Sim, registro uma passagem do livro que pode interessar especialmente aos colegas neurologistas: a parte da história ficcional transcorre concomitantemente ao nascimento da Neurologia moderna no Hospital de Salpêtrière (em Paris, como sabemos). O grande Jean-Martin Charcot, nessa época, era a estrela de um grupo excepcional de estudiosos que revolucionava a medicina e as afeções nervosas (termo comum naquela época). Claro que usei minha influência (como autor do romance) para conseguir uma consulta com o Pai da Neurologia para o personagem principal da narrativa.

SEU SEGUNDO LIVRO É “UM CAVALEIRO TEMPLÁRIO. E A ARTE ALQUÍMICA DE TRANSMUTAR ÓDIO EM AMOR, VINGANÇA EM REDENÇÃO”. FALE UM POUCO DELE, POR FAVOR.

A história da mítica Ordem dos Cavaleiros Templários é o pano de fundo desse romance. Página a página nos depararemos com a França da Idade Média, com a tirania do Rei Filipe, o Belo (personagem histórico marcante que arquitetou a extinção dos Templários, assim como esteve na gênese do Papado de Avignon e da Guerra dos Cem Anos) e com personagens ficcionais marcantes que despertarão tanto admiração quanto desprezo nos leitores. O personagem principal do romance é Pierre Le Blanc, órfão da Ordem que dá início a um elaborado plano de vingança contra os que tramaram contra os Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Ao trilhar essa amarga senda, Pierre experimentará as mais diferentes emoções, irá do amor ao ódio, da sede de vingança ao mais nobre sacrifício, do desespero à paz de espírito. O crescimento pessoal e espiritual desse complexo personagem espelhará a busca pelo autoaperfeiçoamento e pela autolapidação que norteia ou deveria nortear a nossa jornada.

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