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05/12/2017

O Alzheimer e o tempo

O Povo

“No início, ela chorava agoniada, porque tinha consciência que tava esquecendo a própria história”, conta Erilane Vieira, 48, ao lembrar quando, há cinco anos, a mãe foi diagnosticada com a doença de Alzheimer. Acostumada a lidar com muita gente e administrar as finanças da casa, a então comerciante Maria da Conceição Vieira começou a esquecer onde guardava o dinheiro que recebia na vendinha da família. Esse foi o primeiro sinal de alerta que soou.
 
“A gente estranhou porque ela sempre foi muito ativa, muito dinâmica, cuidava da casa inteira. Recebia e comprava o que tivesse que comprar”, relembra Erilane. Os episódios se repetiram e levaram ao diagnóstico de Conceição, hoje com 79 anos.
 
Sem saber se situar no tempo e no espaço — ela não pode sair sozinha, porque não consegue voltar para casa e, muitas vezes, acredita que os filhos já adultos ainda são crianças —, Conceição apresenta sintomas típicos da doença que causa a morte de células cerebrais. Além da memória, o Alzheimer impõe a dificuldade de linguagem, desorientação no tempo e espaço, alterações de comportamento e humor e dificuldade de planejamento.
 
Conforme aponta Rômulo Rebouças Lôbo, médico geriatra do Serviço de Geriatria do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), o Alzheimer é o tipo de demência mais comum e corresponde por 50% a 60% dos casos de demência.
 
Fatores de risco
O principal fator de risco do Alzheimer é a idade — após os 65 anos, o risco de desenvolver a doença dobra a cada cinco anos, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). Quando se inicia antes dos 65 anos, o Alzheimer é considerado hereditário — este tipo atinge 10% dos pacientes, de acordo com a Abraz. A doença acomete mais as mulheres do que os homens (possivelmente porque elas vivem mais).
 
“Esses são os fatores de risco não modificáveis. Mas há os fatores que, se combatidos, podem retardar o aparecimento como as doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade na meia idade e sedentarismo”, indica Norberto Anízio Ferreira Frota, médico neurologista do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), professor da Universidade de Fortaleza (Unifor) e membro da Academia Brasileira de Neurologia.
 

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