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11/06/2018

Botulismo: três casos são confirmados em Ribeirão Preto

A Cidade On/Ribeirão Preto.

Atenção sobre a origem de todo o alimento consumido faz a diferença na prevenção dessa grave doença, que pode até levar à morte

Neste ano, a Secretaria Municipal de Saúde já confirmou três casos de botulismo em Ribeirão Preto. O fato levantou um alerta sobre os perigos da doença e do consumo de alimentos de origem desconhecida ou duvidosa, principais fontes de sua transmissão.  

A advogada Rita Franco França, de 53 anos, sabe bem o quanto o alerta é importante. Em processo de recuperação da doença há cinco meses, ela celebra a vida e adverte sobre seus riscos e gravidade.  

"Não fazia ideia. Hoje, sei o risco de comprar produtos caseiros, sem certificação, pois o risco de contaminação é grande", diz ela, que se contraiu o botulismo consumindo uma conserva caseira.  

Segundo o neurologista Ailton Melo, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e professor da Universidade Federal da Bahia, o botulismo é transmitido, na maioria das vezes, pela ingestão de alimentos contaminados ou armazenados de forma incorreta.  

"A bactéria do botulismo pode ser encontrada no solo ou em alimentos embutidos ou em conserva, por exemplo", afirma. "O mel sem procedência, que muita gente acha inofensivo, também pode se tornar reservatório para os agentes da doença", completa. 

Contaminação  

Rita contraiu o botulismo através de uma conserva de tofu. "No dia 1º de janeiro comecei a passar mal, pela manhã, com ânsia de vômito e tontura. Por volta das 15h, meu quadro piorou. Minha pálpebra começou a cair e fiquei com a visão turva", conta Rita.  

No dia seguinte, a advogada estava bem pior. Quase não abria o olho, sua visão estava duplicada e já tinha dificuldade para falar. O primeiro diagnóstico foi de AVC no cerebelo. Mas, ao passar por outro neurologista com especialização em botulismo, ele já suspeitou da doença.  

"No segundo dia, já internada, tomei o soro antibotulínico. Foi uma das coisas que me salvaram, pois mata a toxina circulante. Só por isso meu corpo não paralisou totalmente", conta Rita.  

Ao todo, foram 52 dias de internação e incertezas, sendo 20 na UTI e 32 no quarto do hospital. "Mesmo em casa, só fui ter alta após 100 dias", conclui.  

Vigilância Sanitária 

A Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto diz que as principais dificuldades para a fiscalização de estabelecimentos que vendem alimentos estão relacionadas, principalmente, a desinformação e clandestinidade.  

"Existem medidas estabelecidas pela legislação que devem ser aplicadas para obtenção de um alimento seguro, e muitas pessoas desconhecem essas informações. O número de estabelecimentos é grande e muitos não buscam a Vigilância para regularização", afirma em nota.  

A pasta alerta que quem faz comida em casa e não possui licença para fabricação e revenda dos produtos está colocando a população em risco. "Muitos casos relatados e investigados de botulismo estiveram associados à ingestão de conservas alimentícias caseiras, fabricadas clandestinamente", diz a Vigilância.  

Por esta razão, a secretaria da Saúde orienta a população a evitar, a todo custo, consumir alimentos de origem desconhecida ou duvidosa, já que a simples existência de um rótulo ou de uma tabela nutricional não indica que o produto seja seguro.  

"É necessário verificar se existe a razão social do fabricante e o endereço do mesmo", frisa. "É preciso ter cuidado com a origem, pois nem sempre um alimento contaminado tem suas caraterísticas de cheiro e sabor modificadas. Latas amassadas e estufadas também podem indicar problemas de qualidade e devem ser evitadas", finaliza. 

Recuperação é lenta e dolorosa 

O neurologista Ailton Melo explica que a bactéria do botulismo impede a liberação de acetilcolina, um neurotransmissor necessário para que o cérebro ordene a contração muscular. "Por isso a doença paralisa todos os músculos do corpo", diz ele. "O botulismo é uma doença grave, tanto que há 30% de letalidade, uma taxa extremamente alta", completa.  

Segundo ele, na busca por uma alimentação saudável, muitas pessoas se arriscam ao comprar alimentos caseiros ou artesanais sem verificar a procedência. "Uma das principais dicas para evitar o botulismo é ferver os alimentos embutidos, em conserva e não industrializados por 15 minutos para matar as bactérias", frisa.  

Para Melo, todo cuidado é pouco ante a gravidade da doença. "O tempo de internação do paciente pode chegar a um ano, dependendo da gravidade do caso. E o processo de recuperação também é lento."  

Rita concorda e acrescenta: "a recuperação é lenta e muito dolorosa. Ainda não consigo pendurar cabide no armário, abaixar e, para entrar no carro, preciso erguer minhas pernas com as mãos. Já são cinco meses de luta e tendo de reaprender muitas coisas", diz. 

Botulismo  

O que é? 
O botulismo é uma doença que provoca neuroparalisia grave e pode levar à morte por paralisia da musculatura respiratória. Sua ocorrência no Brasil está relacionada a contaminação alimentar. 

Qual a causa? 
É causada pela toxina da bactéria Clostridium Botulinum, que pode ser encontrada em alimentos mal conservados. Mais raramente é encontrada em ferimentos ou produzida no intestino de crianças menores de 1 ano e adultos com doenças intestinais. 

Quais os sinais e sintomas? 
Dores de cabeça, vertigem, tontura, sonolência, visão turva, visão dupla, diarreia, náuseas, vômitos, dificuldade para respirar, paralisia descendente da musculatura respiratória, dos braços e das pernas e infecções respiratórias. 

Quais alimentos podem causá-lo? 
Conservas vegetais, principalmente as artesanais (palmito, picles, pequi); produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura); pescados defumados, salgados e fermentados; queijos e pastas de queijos e, raramente, alimentos enlatados industrializados. 

Como se transmite? 
No caso de botulismo alimentar, ocorre pela ingestão de alimentos contaminados pela bactéria, por estarem mal preparados ou conservados. 

Como tratar? 
O êxito do tratamento depende do diagnóstico precoce da doença. Quanto antes a pessoa contaminada for levada a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para receber o soro antibotulínico, maiores as chances de recuperação. 

Como se prevenir? 
Com cuidados com o consumo, distribuição e comercialização de alimentos:  

- Evite ingerir alimentos em conserva que estiverem em latas estufadas, vidros embaçados, embalagens danificadas ou com alterações no cheiro e no aspecto;  

- Produtos industrializados e conservas caseiras que não ofereçam segurança devem ser fervidos ou cozidos por 15 minutos antes de serem consumidos;  

- Não conserve alimentos a uma temperatura acima de 15ºC.

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